José Dias sob a Ideologia da Lógica do Favor
Ezequias da Silva Santos; Marcos Hidemi de Lima
doi:10.20906/CPS/SICITE2015-0667
Resumo
O objetivo desse artigo é estudar a figura do pobre, sob a ideologia da lógica do favor, numa sociedade oitocentista. Observando os recursos estilísticos afeitos de Machado de Assis no romance Dom Casmurro, colocamos em xeque as eventuais falas de José Dias e analisamos a subjetividade e a crítica social, através de José Dias, inseridas pelo autor nesse romance.Ao nos determos no romance Dom Casmurro, podemos observar as aflições que oprimem o narrador Bento Santiago, transformando-o, mais tarde, no apelido que se deu justamente por seu espírito taciturno, sorumbático, alcunha esta que também serve para intitular a obra. Entretanto a personagem de Bento Santiago não será a figura principal nesse artigo. Dentre os vários personagens de Machado de Assis, o romance Dom Casmurro tem, em seu enredo, o agregado mais famoso da literatura brasileira: José Dias, ao qual dedicamos, sob a perspectiva da lógica do favor, nossa análise nesse trabalho. Observando a sociedade em Dom Casmurro, fixa-se, em algum momento, a imagem do pobre sem voz nem vez que, duma maneira ou de outra, descobre como "pertencer" a essa sociedade. A figura de José Dias representa, assim, uma forma (fórmula) de como viver num meio submetido a condições peculiares de uma sociedade senhorial, patriarcal e escravagista. Embora a temática principal de Dom Casmurro seja a relação Bento-Capitu, observamos, através deste estudo, a riqueza nas personagens secundárias de Machado expostas em um Brasil em evolução. Evidenciam-se, assim, as decisões tomadas por José Dias ao longo do romance, precavendo-se para manter-se à sombra de um protetor, ou seja, valendo-se da ideologia do favor, independentemente de o papel de agregado ser a representação da subserviência e da anulação do homem livre.
Palavras-chave: sociedade; Machado de Assis; ideologia; favor; Dom Casmurro