O LIRISMO E O EXISTENCIAL PRESENTES NO GÊNERO POLICIAL: METAMORFOSES CONTEMPORÂNEAS E SUAS TRADUÇÕES INTERSEMIÓTICAS EM LUA CHEIA E O SEGREDO DOS SEUS OLHOS
Nathalia Ferrarini Vargas; Wellington Ricardo Fioruci
doi:10.20906/CPS/SICITE2015-0599
Resumo
Sob a ótica dos estudos interartes e no que tange a relação entre literatura e cinema, este relatório tem por objetivo investigar quais foram as contribuições nas transposições cinematográficas homônimas das obras de partida Lua Cheia (1997), do escritor espanhol Antonio Muñoz Molina, e O Segredo dos Seus Olhos (2009), do argentino Eduardo Sacheri. Ambas as obras se inserem na discussão que permeia o gênero policial e suas modificações contemporâneas que romperam com certos moldes tradicionais estabelecidos por Edgar Allan Poe. Se antes os padrões clássicos investiam em um caráter sobretudo analítico e racional tendo como foco estritamente o crime, a contemporaneidade traz no romance policial questões que circundam o sujeito e suas relações interpessoais, os traços líricos que conduzem a narrativa, bem como certo peso existencial e psicológico depositado nas personagens. As adaptações para o cinema, Lua Cheia (1999), do diretor salvadorenho Imanoel Uribe, e O Segredo dos Seus Olhos (2009), do argentino Juan José Campanella, acompanham tais aspectos literários descritos como contemporâneos do gênero, contribuindo, dessa forma, para a construção do policial de forma cinematográfica. As quatro obras em questão serão, por conseguinte, objeto de análise para que se possa entender como se dá a releitura da tradição do romance policial seja pela literatura, via atualização ou releitura do gênero, seja pelo cinema, cuja perspectiva intersemiótica nos leva à questão da adaptação fílmica.
Palavras-chave: Gênero policial; Tradução intersemiótica; Contemporaneidade