ANÁLISE HIDRODINÂMICA DE REATOR ANAERÓBIO DE MANTA DE LODO E FLUXO ASCENDENTE (UASB) POR MEIO DO TRAÇADOR EOSINA Y
Lucas Eduardo Ferreira da Silva; Eudes José Arantes; Ana Carolina Monteiro Landgraf; Aruani Tomoto; Thiago Morais de Castro
doi:10.20906/CPS/SICITE2015-0338
Resumo
A suinocultura é uma atividade extremamente poluidora, que produz excessivas quantidades de dejetos líquidos e estes, quando lançados indiscriminadamente em corpos hídricos e no solo, podem causar graves impactos ambientais. Uma opção para o tratamento desses efluentes são os reatores anaeróbios de fluxo ascendente, que utilizam um processo biológico para o tratamento e digestão dos compostos orgânicos. Um dos métodos utilizados para a análise do comportamento hidrodinâmico de um reator consiste na técnica de estímulo-resposta, onde um traçador é injetado no sistema para perturbá-lo. Esses ensaios hidrodinâmicos permitem a avaliação do escoamento no interior do reator, além da identificação de anomalias hidráulicas. Sendo assim, o estudo teve por objetivo analisar o comportamento hidrodinâmico de um reator UASB por meio da técnica de estímulo-resposta com traçador eosina Y, identificando suas anomalias e características hidráulicas. O reator foi operado a temperatura ambiente e com tempo de detenção hidráulica (TDH) de 20 h. O traçador eosina Y foi utilizado nos ensaios de estímulo-resposta para a avaliação do comportamento hidrodinâmico. Nos resultados encontrados para o ensaio hidrodinâmico verificaram-se vários picos na curva do traçador. Estes picos podem ter ocorrido pela existência de caminhos preferenciais e pela presença de zonas mortas, que foram analisadas nos cálculos de anomalias. Foi determinada presença de zonas mortas em 37,52% do volume do reator. O modelo matemático teórico que melhor representou o comportamento do ensaio estímulo-resposta foi o de tanques de mistura completa em série (N-CSTR), resultando em 4 reatores. O número de Reynolds indicou escoamento laminar (<2000), não houve curtos-circuitos hidráulicos (Ψ ≤ 0,3) e a eficiência hidráulica foi classificada como baixa (λ ≤ 0,5), o que também pode ser explicado pela presença de zonas mortas, já que interferem na distribuição uniforme do traçador ao longo do reator.
Palavras-chave: reator UASB; ensaios hidrodinâmicos; eosina Y; anomalias hidráulicas