CORRELAÇÃO ENTRE A CARACTERIZAÇÃO GEOMECÂNICA E O MONITORAMENTO MICROSSÍSMICO DA MINA CARAÍBA
João Paulo Silva de Freitas1; Rodrigo Peluci de Figueiredo2
1 Mineração Caraíba S.A.;Núcleo de Geotecnia, Universidade Federal de Ouro Preto; 2 Professor Associado, Núcleo de Geotecnia, Universidade Federal de Ouro Preto
Resumo
Em 1998, a Mineração Caraíba S/A (Jaguarari-BA) iniciou o método de lavra VRM (Vertical Retreat Mining) para a mina subterrânea. Essa técnica tem como princípio dividir verticalmente o corpo mineralizado em painéis de 60 a 25 metros de altura e 15 a 20 metros de comprimento. Após a extração de três painéis é deixado um sill pillar horizontal visando garantir a estabilidade global da mina. Considerando complexidade do maciço rochoso, a elevada profundidade da mina e a severa sismicidade induzida pela lavra, os estudos geotécnicos são essenciais e devem ser constantemente aprimorados e/ou revisados para que se garanta a segurança dos trabalhadores e equipamentos e se amplie ao máximo a vida da mina subterrânea. Sendo assim, a atualização da caracterização geomecânica faz-se necessária. Baseada no sistema RMR de Bieniswski (1989), foi realizada por descrição geotécnica de testemunhos de sondagens nos anos de 2014/2015, totalizando 10.063 m de furos, com o objetivo de compreender o comportamento do maciço para os projetos de aprofundamento da mina. Os dados das descrições alimentam uma planilha eletrônica, que por sua vez, auxiliam na geração de seções geológicas/geotécnicas com o software Datamine 3D. Essas seções foram interpretadas, permitindo gerar sólidos/wireframes, que indicaram que a zona de falha principal, anteriormente tangente à mineralização, estaria agora posicionada no seu hanging wall, com um mergulho acentuado para oeste a partir da cota -650 (em torno de 1.100m de profundidade). A partir daí, visando uma maior confiabilidade dos resultados encontrados até então, optou-se por avaliar também os dados do monitoramento microssísmico, captados entre meados de 2002 a meados de 2015, com magnitude acima de 1.0. Segundo Mendecki (1997), isso permite efetuar correções no layout de projeto, sequência de lavra, estratégia de suporte, etc. Com esse levantamento do histórico de eventos sísmicos foi possível detectar um "alinhamento" da sismicidade, não só na falha evidenciada pelos furos de sondagens, mas também
Palavras-chave: Mineração Subterrânea; Caracterização do Maciço Rochoso; Monitoramento Microssísmico