O uso da análise petrográfica e micromorfológica na determinação dos graus de alteração de um maciço rochoso gnáissico
João Paulo Monticeli1; Pedro Pazzoto Cacciari1; Joel B. Sígolo2; Marcos Massao Futai1
1 Escola Politécnica - USP; 2 Instituto de Geociências - USP
Resumo
Alguns túneis antigos da Estrada de Ferro Vitória-Minas têm apresentado quedas de blocos de rocha, que, a princípio não apresentam risco de colapso, contudo podem prejudicar a circulação na via acarretando prejuízos. Esse cenário motivou o convênio entre a empresa VALE S.A e Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) na criação do Projeto Tunelcon que busca desenvolver ferramentas e uma metodologia de análise de quedas de blocos em túneis antigos escavados em rocha. Nesse contexto é necessário, portanto realizar uma caracterização detalhada dos fatores geológicos - geotécnicos que governam esse comportamento do maciço, dentre esses a alteração da rocha e das superfícies das descontinuidades são uns dos mais importantes. O estudo da alteração, caracterização e definição dos graus de alteração da rocha, pode ser realizado por tabelas disponíveis no meio técnico como as de Vaz e Deere&Patton, ou, por meio de ensaios geológicos e geotécnicos. Nessa pesquisa, os graus de alteração foram caracterizados através de análises petrográficas e micromorfológicas, e quantificados por meio dos valores de porosidade aparente das amostras obtidas em testemunhos de sondagem. Os ensaios propostos permitiram boa separação entre os intervalos dos graus de alteração. No caso da porosidade aparente (Pa), os graus foram divididos da seguinte maneira: A1 (0,2 a 1,0%), A2 (1 a 3%) e A3 (3 a 7%), sendo que os seguintes processos intempéricos ocorrem nos minerais: A1 (processo de pinitização do mineral cordierita), A2 (pinitização da cordierita e saussuritização do plagioclásio com acúmulo de óxido/hidróxido de ferro), A3 (pinitização, saussuritização, cloritização da biotita e sericitização do feldspato alcalino e com acúmulo de óxido/hidróxido de ferro). As análises textural e micromorfológica mostraram que a microporosidade fissural no grau A2, e especialmente no A3, está relacionada aos processos de expansão e contração da mineralogia secundária formada na cordierita e biotita. A presença desses argilominerais expansivo
Palavras-chave: Alteração; Petrografia; Micromorfologia; Queda de blocos; Túnel