Empreendimentos da Economia Popular Solidária: limites e desafios para ocupar mercados
Cristiane Betanho1; Jose Eduardo Fernandes1; Eduardo Giarola1; Elson de Oliveira Felice2
1 Universidade Federal de Uberlândia - UFU; 2 Centro de Incubação de Empreendimentos Populares Solidários - Cieps/Proex/UFU
Resumo
Trabalhadores-empreendedores da Economia Popular Solidária (EPS) têm um desafio comum: ocupar mercados, realizando seus produtos diretamente junto aos consumidores, prescindindo o uso de atravessadores. Superado o desafio, o valor agregado gerado pelo trabalho seria apropriado pelos trabalhadores, ao invés de sê-lo por terceiros. O objetivo deste trabalho é, a partir da reflexão sobre a realidade de grupos de que empreendem a partir da lógica da EPS, analisar os limites, as potencialidades e os desafios a enfrentar para que trabalhadores-empreendedores possam construir, simultaneamente, oferta e demanda, ressignificando as relações de consumo. Para os pesquisadores, nesse processo, podem ser destacadas as relações solidárias envolvidas na produção das mercadorias como diferenciais para as ofertas, bem como no processo de troca ou venda do produto. A EPS, desde 2003, é uma Política de Estado. Desta forma, tem sido fomentada com ações que fazem sobressair o caráter transdisciplinar necessário à implementação da EPS para além de ser uma alternativa de geração de trabalho e renda e de redução da miséria: são imprescindíveis ações coordenadas para que se leve à compreensão do significado de empreender sob os princípios da EPS. Para que os limites sejam superados e os desafios sejam aproveitados, é necessária a construção de um processo emancipatório de formação para o trabalho, que aponte para a superação tecnicista e possibilite que os trabalhadores-empreendedores transfiram e gerem conhecimento, e subordinem as tecnologias às suas necessidades, agregando valor para si, para seus pares e para a sociedade.
Palavras-chave: Economia Popular Solidária; Empreendimentos Econômicos Solidários; Mercados