Bioensaios com invertebrados de solo para avaliação da ecotoxicidade crônica associada ao tratamento de resíduos de mineração de carvão.
Ricardo Gonçalves Cesar1; Aline Freire Serrano1; Bianca Carolina Resende Carneiro da Rocha2; Tácio Mauro de Campos2; Mariana Vezzone3; Miriam Bianchi4; Claudio Schneider5; Zuleica Carmen Castilhos6
1 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de Geografia.; 2 Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio.; 3 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de Geologia.; 4 EMBRAPA-Agrobiologia; 5 Centro de Tecnologia Mineral (CETEM); 6 CETEM
Baixar PDF doi:10.20906/CPS/CBCM2017-0080
Resumo
A oxidação da pirita, presente nos rejeitos e estéreis da mineração de carvão, pode desencadear uma drenagem ácida, induzindo uma redução drástica do pH dos solos e dos sistemas aquáticos vizinhos. O presente trabalho trata da avaliação da eficácia do processo de tratamento de um resíduo de mineração de carvão coletado na região carbonífera sul catarinense. O tratamento aplicado consistiu na separação das partículas conforme sua densidade, gerando três frações: pesada, mista e leve; com alto, intermediário e baixo teor de pirita, respectivamente. A eficácia do tratamento foi avaliada com base na quantificação de metais pesados e execução de bioensaios agudos e crônicos com oligoquetas (Eisenia andrei) e colêmbolos (Folsomia candida), conforme protocolos padrão (ISO). Os bioensaios foram somente aplicados à fração mista do resíduo, devido ao volume de material gerado com necessidade eventual de disposição terrestre. Misturas desta fração mista com um solo artificial foram preparadas nas seguintes proporções: 0, 6, 12, 24 e 50%, para os ensaios com E. andrei, visando a avaliação preliminar da toxicidade. As mesmas doses foram aplicadas em solo real (local) para os ensaios com F. candida, para o detalhamento da toxicidade crônica. Os resultados revelaram, de forma geral, uma redução das concentrações de metais pesados para a fração leve e atenuação do pH para as frações mista e leve, em comparação ao resíduo in natura. As concentrações de metais nas misturas de solo com a fração mista do resíduo estavam em concordância com os valores do CONAMA para qualidade de solos. Os bioensaios agudos com oligoquetas não resultaram em mortalidade e nem em perda de biomassa dos animais, indicando baixa ecotoxicidade aguda. Contudo, os animais sobreviventes foram capazes de bioacumular elevadas quantidades de níquel na maior dose testada (50%), um metal reconhecidamente tóxico aos oligoquetas. O bioensaio crônico com E. andrei indicou perda significativa de biomassa para a dose de 50%, bem como redução significativa da reprodução
Palavras-chave: Carvão; Bioensaios; Toxicidade; Oligoquetas; Colêmbolos