Efeito da temperatura na deformabilidade de resíduos sólidos urbanos com alto grau de degradação
Fernando H. M. Portelinha1; Natália S. Correia2
1 Universidade Federal de São Carlos; 2 Universidade de São Paulo
Baixar PDF doi:10.20906/CPS/CB-05-0105
Resumo
O aspecto negativo dos recalques progressivos de aterros sanitários consiste nos indesejáveis deslocamentos verticais diferenciais pós-operacionais, que resultam no desenvolvimento de trincamentos superficiais e, possivelmente, na ruptura do sistema de cobertura e/ou do sistema de impermeabilização. Em condições de trabalho, o resíduo sólido urbano pode estar submetido à elevadas temperaturas, que afetam sua deformabilidade. A presente pesquisa visa a avaliação da deformabilidade de resíduos sólidos urbanos do aterro sanitário da cidade de São Carlos-SP, considerando o efeito da temperatura interna desenvolvida no interior do aterro. Para a avaliação de resíduos sólidos urbanos com alto grau de degradação, foram utilizadas amostras com 30 anos de aterramento. Os ensaios consistiram na imposição de cargas constantes nas amostras de resíduos com medidas de deslocamentos verticais ao longo do tempo, utilizando um edômetro de grande escala. Estes ensaios foram conduzidos com três temperaturas: ambiente (em torno de 25º C), 50º C e 70º C. Os resultados mostram que a deformabilidade do RSU aumentou na ordem de 2 vezes quando submetido a 50º C em relação à temperatura ambiente. Acima desta temperatura, a deformabilidade não foi afetada. Deformações verticais ao longo do tempo foram, na maior parte, provenientes do comportamento de fluência da parcela de material plástico, muito significativa na amostra avaliada.
Palavras-chave: Resíduo sólido urbano; Deformabilidade; Temperatura